O ar que respiramos

17 Set, 2012

A expressão «ar puro» tem um significado bastante equívoco. A menos que um quarto esteja hermeticamente fechado, o ar que entra pela porta ou pela janela é suficiente para fornecer oxigénio aos pulmões. Assim, a menor ou maior ventilação depende das preferências individuais.

Antigamente, o ar, em especial o ar da noite, era considerado perigoso, pois supunha-se que seria portador de gases insalubres, chamados «miasmas»; as correntes de ar, a que os médicos atribuíam toda a espécie de doenças, infundiam também enorme receio. Em consequência, muitos dos nossos antepassados habituaram-se a usar grande quantidade de peças de roupa interior em todas as estações do ano e a dormir com as janelas hermeticamente fechadas. Dentro do mesmo critério, as crianças eram então agasalhadas em excesso.

Porém, algumas descobertas, como, por exemplo, a de que a malária era causada pelo mosquito, e não pelo ar da noite, fizeram inclinar as ideias para o sentido oposto. Em resultado dessa nova mentalidade, surgiram os «maníacos» do ar puro, que onde quer que se encontrassem, tinham sempre a preocupação de escancarar todas as janelas, mesmo incomodando outras pessoas. Era tal a obsessão pelas virtudes do ar livre que alguns pais obrigavam os filhos a permanecer bastante tempo fora de casa, durante o Inverno, sob as mais baixas temperaturas. Desta forma, muitas pessoas, principalmente as menos ativas, passavam longos períodos constipadas e sofriam de frieiras nos dedos das mãos e dos pés.

Desde que se goze de boa saúde e se não pratique exageros, não há inconveniente em adotar qualquer uma das atitudes anteriormente referidas. Por isso, cada pessoa pode escolher o método que mais lhe agradar ou que, em sua opinião, lhe truxer maiores benefícios.