A criança e a disciplina

A criança e a disciplina1 – Durante o primeiro ano de vida, a criança é absolutamente dependente, pelo que não faz sentido atribuir-lhe qualquer reponsabilidade no que respeita ao seu asseio ou à sua segurança. Até à idade em que começam a andar, os bebés não são voluntariosos; apenas sentem uma vontade irresistível de descobrir o mundo à sua volta. É preciso ajudá-los e estimulá-los nas suas corajosas explorações em busca de um objeto aliciante. Contudo, é também necessário protegê-los contra o perigo.

2 – No início do segundo ano de vida , a criança tem de ser ensinada a evitar certos objetos. Os pais devem impedi-la com firmeza de se aproximar do fogão, subir para uma mesa ou pegar numa faca. Contudo, devem reprimir o menos possível as suas atividades exploradoras. Desta forma, ao atingir os três anos, a criança estará apta a aceitar uma certa disciplina no que se refere quer à sua própria segurança e à de outras pessoas, quer inclusivamente à concervação de certos objetos.

3 – Para avaliar o grau das suas exigências em relação aos filhos, os pais podem baserar-se na frequência com que os advertem ou exercem sobre eles qualquer outra forma de pressão. Se verificarem que utilizam habitualmente demasiadas expressões repressivas, poderão talvez concluir que a disciplina que impõem aos filhos é excessivamente rígida. Nesse caso, os pais deverão tentar assumir maior autoridade ou, pelo contrário, conceder uma maior margem de responsabilidade aos filhos.

4 – A criança não tem «necessidade» de castigos. Quando existem boas relações de amizade e compreensão entre pais e filhos, a maior parte das dificuldades pode ser vencida sem necessidade de corretivos. A este respeito, tenha-se em vista, por exemplo, como uma educadora de infância consegue lidar satisfatoriamente com grande número de crianças. O problema reside no facto de os pais disporem de cada vez menos tempo para dedicar à educação dos filhos, recorrendo ao castigo como um meio mais fácil e rápido de procurar resolver um problema. É claro que perante o condicionalismo da vida moderna, carregada de eficazes, comprimissos e preocupações, não se pode afirmar que os pais nunca deverão castigar uma criança. Assim, no caso de uma advertência firme não ser suficiente para dissuadir uma criança de praticar um ato indevido, um pequeno castigo talvez se revele um meio eficiente para a levar a obedecer. Afinal, na maioria  dos casos, um castigo moderado não lhe provocará mais que um sofrimento passageiro.

No entanto, é preciso ter em conta que, em regra, os castigos atuam como uma arma de dois gumes, causando frequentemente mais prejuízos que benefícios. É quase impossível encontrar o castigo ideal, que permita alcançar o objetivo pretendido sem causar qualque dano. Na realidade tanto as repreensões como as intimidações ou os vexames podem ser contraproducentes. Assim, nunca se deverá castigar uma criança por algo de que ela não seja efetivamente responsável ou em virtude de, em determinadas circuntâncias, ter agido como uma criança que é, e não como um adulto. De qualquer modo, seja qual for o castigo, é indispensável fazer sentir à criança que ela não perdeu o amor dos pais.